Wednesday, August 25, 2010

A Flor Chegou! Mais uma para o clã!


Agora só escrevo quando vale a pena. Agora vale muito a pena: Vale a pena, porque nasceu uma FLOR!
Esta não será a carta para a minha avó, mas a carta da tua avó que vais conhecer e que espera vir a ensinar-te muitas coisas. Não te aflijas que não serão coisas aborrecidinhas (essas são para aprenderes noutros sítios que eu não digo). Irei ensinar-te a olhar o Mar, a Lua e as Estrelas. Irei contar-te como foi o dia em que nasceste. Irei contar-te como foram os dias felizes da nossa família... Irás ver as minhas flores. Poderás brincar com os nossos gatos que já sentiram que tu chegaste. Talvez te ensine a ler (se me pedires). De certeza, de certeza: irás ouvir a história da Branca Flor e da Vaquinha Vitória, o Bicho Vai, o Arre Burrinho... Quando fores maiorzinha, aprenderás a gostar de Brell, do Chico e do Vinícius. Pedirás à tua mãe que te cante O Coro das Velhas enquanto lhe fazes orelhadas (Vinga-me Flor....) A tua mãe sabe muita coisa. Se acaso se atrapalhar,(os psicólogos às vezes são complicados), pergunta à Tia Guidinha ou mesmo à Tia Catty (se a apanhares a jeito...) Ao Vô Lito tens muito que perguntar... Sabes uma coisa? Ele foi o primeiro cientista que conheceste. Não te esqueças disso... Há outros e outros(as) virão, mas ele foi o primeiro!
Olha: não fiques aflita se deres um trambolhão e torceres o teu pezinho. O teu Pai sabe tratar disso...
Agora um segredo que não podes contar a ninguém: Nós somos a Família mais linda do Mundo e tu és a nossa FLOR!

Sunday, January 18, 2009

Quando acaba o Inverno, Mamã?

Ainda ontem me perguntavas: Quando acaba o inverno, Mamã? Tu sabias que, no Inverno, os teus fatinhos não tinham flores. Tu sabias que, no Inverno, os girassóis estão escondidos lá longe, para além das montanhas...
Ainda ontem me perguntavas: Quando vamos comprar um vestido igual ao da Porcina?
Eu gosto tanto dos vestidos da Porcina, Mamã!
Já nem lembro bem quem era a Porcina. Só sei que era uma personagem interpretada pela grande actriz brasileira Regina Duarte, cuja indumentária agredia qualquer um.
Eu quero ver a loja das noivas, Mamã! Olha aquele tão lindo!
Pois sim! Era o mais barroco!
Eu quero um vestido novo, Mamã!
Quando acaba o inverno, Mamã?

Thursday, December 25, 2008

Hoje é dia de Natal. O dia está quase no fim e não sinto aquela tristeza de menina que sabe que no dia seguinte já não há prendas nem risos. O dia está quase no fim e eu estou feliz porque vi crianças felizes sorrindo. Estou feliz porque começo a aprender que o meu papel no mundo, sem ser um sucesso, foi o de uma personagem que cumpriu as marcações e que só re-presentou os textos de que gostava, mas que, por vezes, se alongam em escuridão indesejada. Não importa. São escolhos passageiros que não chegam para fazer trepidar as tábuas firmes do palco.
Hoje é dia de Natal. O dia está quase no fim e eu estou quase feliz. Amanhã não haverá prendas nem risos de crianças, mas não sinto o frio do Inverno, antes penso na Primavera que há-de chegar para me lembrar que a Vida é para ser vivida e não para nos magoarmos com ela

Monday, December 1, 2008

Obrigada!

Há senhores (e senhoras) que nem sentem o frio...Falam, falam, falam... As suas palavras são tão sem graça, tão vazias que é coisa de meter dó, como dizia Gil Vicente. Emitem opinião sobre tudo, de forma arrogante, ligeira e feia. Principalmente feia! E a nossa televisão dá-lhes crédito: E ainda há quem os ouça e perca tempo a comentá-los. Até eu (mesmo sem querer).

Há Senhores e Senhoras que sentem o frio dos outros...As suas palavras irrompem numa voz quente, bem modelada, sem deixar de ser natural. As suas palavras são matizadas de cores fortes com recortes poéticos. Falam pouco. Ouvem muito. Esquecem-se de si próprios para darem voz aos outros. As suas palavras escondem-se nos problemas do Outro com quem estabelecem um diálogo de olhares, que não se vêm, mas se pressentem (A menina entende...a menina sabe...).
Obrigada Luís pelo trabalho que desenvolves.
Obrigada Miriam pelo trabalho a que nos habituaste.
Vocês são os jornalistas que eu gostaria de ter sido.

E o frio que não acaba!...

Há pessoas que parecem não ter frio e se julgam sempre os reis do Mundo. É vê-los na televisão debitando opiniões sobre tudo e todos (ou quase todos, porque sobre mim não emitem qualquer opinião, felizmente. O frio das suas palavras é bem mais acutilante que o frio que se sente lá fora. As suas palavras são «tão sem graça, tão vazias, que é coisa de meter dó", como dizia Gil Vicente. Deixemos o que é gelado, e vamos para o que a nossa televisão tinha (tem)) de bom. De vez em quando, lá nos apareciam programas como a Câmara Clara. De vez em quando, lá nos aparecem retalhos de vidas em bairros quase esquecidos pelos tais senhores (ou senhoras) que parecem não ter frio. De vez em quando, somos (éramos) brindados com reportagens de outras paragens da Europa, que nos fazem pensar que, quando queremos, somos bons. De vez em quando, a voz bem timbrada e a criatividade de Luís Gouveia Monteiro mostram-nos que ainda há bons jornalistas.

Sunday, November 30, 2008

Os meus Gatos e eu


Por engano, criei em Abril outro espaço bloggiano. Por deformação profissional, acentuei as acácias e, pronto, neste mundo de erros ortográficos, as acácias foram parar a outro jardim. Como os meus leitores (poucos, mas bons) não estavam informados sobre o meu preciosismo ortográfico, privei-os da leitura destes textos e proporcionei-lhes umas bem merecidas férias no Brasil, no Algarve, em Lisboa, no Reino Unido(?)... Gosto de saber onde param os meus leitores. Gosto de os ter perto de mim. Gosto de saber onde estão e o que fazem. Gosto quando dizem que leram, gosto quando escrevem. Digam bem ou digam mal... O que importa é que digam.
Depois de ter dado esta informação, só me resta continuar com as minhas deambulações com uma periodicidade mais ou menos regular.
Ando e desando e não deixo de pensar nos meus gatos. Que pena eles ainda não terem aprendido a ler. Quando isso acontecer, eles serão os meus críticos acérrimos.
Eles não lêem, lá isso não! Falar, falam! Dizem tudo o que se passa no seu pequeno mundo. Estão contentes? Dizem-me. Estão zangados? Dizem-me. Falta água ou comer? Dizem-me. Querem dormir? Dizem-me. Eu entendo-os e eles entendem-me. Quase nunca nos zangamos porque eles confiam em mim e eu confio neles. Eu já cheguei a pensar que a cumplicidade, existente entre nós, só pode ser fruto da ausência de sentimentos mesquinhos que, por acaso, possam povoar a alma humana. Será?! De facto, eles não correm atrás do dinheiro fácil. Nunca os ouvi falar mal uns dos outros. Quando não gostam, arranham e bufam. Nunca dei conta que andem preocupados em se atropelar uns aos outros para subirem na vida. Não consta que se deixem influenciar por ninguém para se esquecerem da grande amizade que nos une. Em suma: vivemos em paz!

Saturday, May 10, 2008

Maio

Hoje está frio.
Maio não deve ter sido feito para o frio, mas às vezes acontece...
Recordo muitas vezes um fim de tarde de Maio em que a chuva caía abundantemente e eu com a I. atravessámos a cidade, onde vivíamos, para irmos a casa de um colega (muito especial) buscar o enunciado de um teste que havia saído na turma dos rapazes. Havia uma chance de sairem algumas questões semelhantes. A I. ia pelo teste, eu ia pelo tal colega que, de tão especial, ainda colhe flores no meu jardim, brinca com as minhas gatas, gosta de Pernambuco e... tem paciência para me aturar, vivendo para mim.
Hoje está frio. E eu gosto de Maio quente.
Recordo uma cidade, muito antiga, em que as meninas inventavam coisas para sair de casa e uma delas era nada mais que ir para a ponte, onde, sob um sol ardente contávamos as camionetas que vinham de Fátima. Sabíamos de cor os nomes das empresas rodoviárias: Moisés, Douro, Deus, José Maria dos Santos... O nome mais bonito, contudo, era EVA. Que lindo! A primeira mulher tinha dado o nome a uma empresa de camionetas... Se calhar a nossa primeira mãe também gostava de viajar...A imaginação, à solta, daquela menina, que eu era, pulava pelas praias de mão dada com Eva que tão depressa tinha os cabelos longos e louros como, inexplicavelmente, se transformava na única Eva que conhecia: uma colega da escola primária, muito morena, de cabelos curtos, muito tímida e que talvez não gostasse de maçãs e tivesse medo de serpentes... Foram precisos muitos anos para que o encantamento do nome EVA se desfizesse: Empresa de Viação do Algarve... Acabou-se a magia do nome como se tinham acabado as contagens das camionetas.
Hoje está frio.
Maio tem que ter flores. Tem que ser garrido e alegre. Tem que justificar o seu étimo latino. Logo, Maio deve ter calor...
Hoje está frio.
Eu já não vou buscar enunciados de testes a casa de um special boy. Mesmo que estivesse calor também já não contaria as camionetas vindas de Fátima nem me deixaria encantar pela magia de uma sigla...